29/11/2013

Fenêtre

Não tenho palavras, 
Pela primeira vez me vejo sem elas
Todas sumiram e se somaram numa unica: espera!
Feito você que tanto olho e não vejo
No desejo da minha janela.



Pablo Picasso - Femme - Assise - Près-D’Une - Fenêtre

27/11/2013

Bacamarte

Jack White - Blunderbuss - Unstaged (Studio)

Bacamarte

Eu tive meu sonho em que segurei a sua mão naquela larga avenida
Atravessamos a rua e nunca nos falamos enquanto voávamos
Deixou o homem sozinho na grade, rindo lá para nós
Um busto romântico, um errou virou, bacamarte explosivos

Um hotel antigo grande de fio persa e marfim
E quando o homem virava a cabeça, eu veria você me olhar
Piscinas de bronzeado e mar de demônios vermelhos em seu bolso
Aquele mesmo romance executando uma dança dentro de um medalhão de prata

Saída das curvas, não alto o suficiente para sair de pé em linha reta
Projetado por homens, assim senhoras teria de se inclinar para trás em sua marcha
Você me pegou pelo braço e foi embora comigo, mas não estava autorizada
Você me levou para um lugar público para misturar-se em silêncio
Um truque fingindo não estar fazendo o que você quer fazer
Mas parece que todo mundo faz isso todo momento

Eu te deitei e toquei como nós dois tanto precisávamos
Seguro em dizer que os outros podem não aprovar isto e implorou
"Então eles são egoístas" estaria lá chorando quem teria coragem de argumentar
Fazendo o que duas pessoas precisam nunca está no menu

26/11/2013

Polaco Loco Paca

Não falo de filosofia
Preciso é ser cortante feito o sol
suave feito a seda
A farda do tempo me veste 
O passado torna-se uma mera audiência
Pro presente saber reagir 
E dar ao futuro luz e urgência

22/11/2013

RoNheiba

André Luz Gonçalves

Certeza

Não gosto de declamar poesia
Reencontrar aquela emoção fervente
Num "agora" quente feito de água fria
Por ser minha a iguaria, lia.
Um outro tempo a tal da emoção
Me caberia!
Se mesmo assim, nesse momento,
Esse tesão artesão se meta,
Aí de arrego declamo
O novo poema
Que me vier a cabeça.

Certeza.

André Luz Gonçalves

LAPA

Nunca se sabe
O que livra e nos guarde.
Até que passe
A ânsia que nos cabe.

André Luz

A Pipa e o Pombo


Essa estoria começa numa manha de domingo, eu era um menino franzino de uns 7 anos talvez, e estava convicto que iria fazer minha primeira pipa, e vê-la voar no céu, ao meu controle e destreza em dibicar e por a pipa no alto, eu, a Pipa e o Vento... Mais precisava da ajuda de meu pai, e ele não gostava de Pipa, quando o assunto era Soltar Pipa ele sempre cortava com uma frase dura pra "desimportar-se" qualquer desejo desse.

Minha mãe  conseguiu convence-lo de que é importante ele ajudar, interagir com o filho, desde que meu irmão mais velho faleceu que ele não sentia mais vigor em amar,  ficava prostrado no sofá ou sumido no trabalho, perdeu um pouco a alegria, só lia.

Meu Pai veio me ajudar, reclamando mas logo começou a mexer e colar, soltou a Pipa comigo uns 10 minutos, e foi me deixando lá...


Era eu, o vento e a Pipa, tudo ia bem, eu dibicava e a pipa obedecia, de repente um pombo passou bem perto da pipa, era um pombo branco, adulto, achei que ele ia bater na pipa de tão perto, quando de repente o pompo voltou, começou a voar em volta da pipa, fiquei nervoso, nunca havia visto aquilo, o pompo voou na direção da pipa e a rasgou, sem mais nem porque o pombo pegou a pipa e rasgou, e dali vi voando minha linha, e a forma da pipa, feita de gravetos, e rabiola, caindo no chão...




Doce amargo que se instala em minha garganta
Fica feito a terra na planta
Muito louco, peço calma a quem se espanta
Digo com toda sobriedade: vale mais ser louco
bobo e solto, que anta!

André Luz Gonçalves

18/11/2013

Cela

Te ver é como sair de uma prisão e
Querer te é como estar dentro dela.

André Luz

15/11/2013

Cansado é mais difícil descansar...

Quase fui ver o outro lado
coração bate cansado e bumba sem muita pressa

Bate forte e lento
Feitio do Surdo Um,
Tambor de Alfaia dobrado
E Zabumba no xote bem de vagar

Só sei que esse peito arranhado ainda tem muito pra ritmar.

André Luz Gonçalves 

14/11/2013

Taí ó!


Marisa Monte e Paulinho da Viola farão show com renda para a Portela:

Paulinho da Viola e Marisa Monte se juntarão à Velha Guarda Show da Portela, no dia 14 de dezembro, na quadra da escola, em Madureira, para o show "A noite veste azul". A arrecadação será totalmente revertida para o desfile da Portela, já que os artistas abriram mão de seus cachês para ajudarem e escola, que herdou dívidas de mais de R$ 10 milhões da administração passada. 


A ideia da realização do show foi de Monarco, líder da Velha Guarda e presidente de honra da azul e branco. 

- Eles aceitaram prontamente o convite. É uma bela atitude de nosso veterano Paulinho e da Marisa, que é nossa deusa, e que prova o amor que eles têm pela Portela. Estou com o coração transbordando de alegria. Será uma noite que vai entrar para a história da Portela – declara o bamba, que em agosto deste ano, festejou seus 81 anos na quadra da escola, com show que também teve a arrecadação destinada aos cofres portelenses.


Os ingressos para plateia custarão R$ 50 (na hora) e R$ 40 (antecipado). A venda começa na próxima terça-feira, dia 19, na secretaria da quadra, que fica na Rua Clara Nunes, 81, em Madureira. Informações pelos telefones (21) 2489-6440 e (21) 3529-7089

Divulgação extraída da página: https://www.facebook.com/PortelaNoAr




A parede do meu piso

Ela é meu tempo forte
Minha véspera de feriado
Aquele copo de sede, muito gelado...

Minha previsão de alegria
Minha mão amiga
Ela cuida da minha magia

Sabe lá onde é que minha nega vai parar...

Nega de Obaluaê...

André Luz - De Tudo Hum Pouco




13/11/2013

Vem logo

Mande-se numa mensagem
Dessas densas que aguçam miragens
Pra Eu ler sem ninguém ver.


André Luz Gonçalves

06/11/2013

05/11/2013

Je ne sais pas Haikai


Eu não sei fazer Haikai,
Mas meu pensamento pueril expande
Vez em quando feito o vento levante
Entra e sai...


André Luz
ouse

04/11/2013

Brinco Dourado

Não sei virar a cara
Pra ganhar outro tapa.
Revido numa revanche,
Criando outra avalanche
De palavras novas e ousadas.

André Luz

é

Se der eu rimo
Remo
Rumo
Se não der também

André Luz


03/11/2013

Mata a dor

Mato e faço borboletas das cinzas
Viro pó na fornalha do seu pensamento
Mato e espalho átomos pelos espaços
Criando novos agravos em um novo descompasso

Mato mesmo é a morte da palavra maldita
Essa navalha que raspa sua ternura
E aos poucos mata em mim o quase tudo que é desejo
Sobrando dúbios poemas imperfeitos

André Luz