31/07/2013

Suave?

Minhas palavras tem pólvora 
Minhas rimas cangalhas
Minhas estrofes navalhas
E toda suave brisa

Seus pedidos todos meus
Seus malditos todos eus
Seus destemidos sentidos
E toda suave brisa

Nossas peles se imploram
Nossas rédeas se estouram
Nossas mentes se exalam
E toda sua brisa

André Luz Gonçalves


Tamanho do Não

Um velho moço
Deitado no banco
Não pinta o esboço
De uma vida inteira

Este enrugado ali
Prostrado e perdido
Como amigo, um cachorro sem latido
Prestes a sucumbir

Deixeis ele de lado
Que de certo é derrotado
Uma vida de escravo
Onde amou e não se deu tão bem

Este menino de idade
Esquecido nas ripas
Que de abandono se invade
Arde suas frias medidas

André Luz Gonçalves 


Frio Piabetá

Manhã de invernada
Frio de encosta
O sol que disputo
Cautela calorosa
Que logo acrescente
Fome e cheiro de café ao meu dia
Chamas de alegrias me esquente.

André Luz Gonçalves


30/07/2013

Eu Sou Tua Cara É a Minha


Até que amanhece...

A Dama da Noite engrandece minha rua
Com seu perfume de Flor Nua
Sempre desperta o sentido esquecido
Desses que como eu passam, sem seus tempos idos.

André Luz Gonçalves


Para Ti!

Sua boca não mais me toma feito uma droga que salva
Dessa volta ácida que refletia a sua alma

Sua importância só cabe e remete ao que crio
Em teu agasalho não coube meu calor nem meu frio

E essa insólita e póstuma sentença que me oferece
Me conserve no pra sempre das paixões que não entristece.

André Luz Gonçalves


29/07/2013

Vai


Duplas soltas

Abriu porta e o vento
Sem pestanejar soprou seu lamento

Atearam insumas em versos fortes
Feito bombas de Molotov

Espalharam encantos em tristes prantos
E sensualizaram o fel

Uniram o infame e o excitante
Formando um novo levante

Sem piedade, prece ou abraço
Formou sua corrente e deu um laço.

André Luz Gonçalves

Ou quase.

Rogou me pragas
Jurou me as favas
Tentou me ao fim 
E encorajou meu medo

Fez de meus mistérios seus segredos
Despiu meu céu
Fez seu brinquedo
Deu prazer de ter sem tê-lo

Depois fingiu que não viu
Largou o resto num canto sutil
Culpou o largo e o farto
E acertou um outro ato

Restando tudo

André Luz Gonçalves


26/07/2013

Ternura é a palma da mão passear pelo rosto
é ganhar presente de amor
esperança que tudo será bom
suavemente telúrica...

André Luz Gonçalves
Não sãos as palavras que nos deixam felizes ou tristes, e sim a vida que vivemos antes delas.



André

24/07/2013


Faço um Blues 
Desses uivos de cachorro e asfalto molhado
De torcer pra não amanhecer
Desses desolados

Faço um Blues
Como quem sofre e escorre calado
Como se encontra, puto, junk e atordoado
Como quem vê o amor ir embora

Faço esse Blues
Sem bumbo, sem fundo, sujo e invocado
Tocando uma gaita desafinada
E bebendo um destilado barato

Acabo com o Blues
Pensando em dançar me esfregando em cismas
Pensando em achar te no ralo da esquina
Procurando fogo pro meu cigarro amassado

E depois desse Blues
Deito e rodo com o mundo
Apagado e amassado no SEU cinzeiro
No sonho do sonho tardo em partir me acabado. 


André Luz Gonçalves

Coito do bem-te-vi sobre aqui
Cantou com o galo de manhã
Serviu de abrigo pra gota
Da flor que me deu cheiro na mão.

Orvalho se espalha, fria navalha.

André Luz


Chão

Moço de carroça 
Com seu cavalo aliado
Seu chicote indomável
E sua velhice de sábio

Ritmo na ferradura pisada
Um cantada antiga de minha avó
Um fim de Serra nessa invernada
E o caminho segue pela estrada

André Luz Gonçalves

22/07/2013

André

Ter um amor sorrindo num lindo brilho contínuo,
Saber que o dia de haver, há de ter Luz.


Amor de Mãe é Filho.

Hoje minha mãe completa 63 anos, uma mulher que merece todo meu respeito, tem sido uma amiga e uma parceira, que durante o início da vida não pudemos conviver e ser, hoje ela é minha grande amiga, minha parceira quando amanhece as noites traiçoeiras e também nas horas festeiras.

Que meus filhos nunca precisem, mais que se um dia precisarem, serei fiel e estenderei me a eles inspirados assim: nessa Mãe Linda que Deus deu pra mim.  


21/07/2013

Estou Cansado.

Estou cansado, é claro, Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado. De que estou cansado, não sei: De nada me serviria sabê-lo, Pois o cansaço fica na mesma. A ferida dói como dói E não em função da causa que a produziu. Sim, estou cansado, E um pouco sorridente De o cansaço ser só isto — Uma vontade de sono no corpo, Um desejo de não pensar na alma, E por cima de tudo uma transparência lúcida Do entendimento retrospectivo… E a luxúria única de não ter já esperanças? Sou inteligente; eis tudo. Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto, E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá, Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa
Álvaro de Campos, “Poemas”

Retrato em Branco e Preto



...

Domingo possui um vento único, capaz de dar um sabor de sorriso ao olhar.

Domingo é o dia que eu sonho em ter pra mim.

André Luz Gonçalves

Comes, cospes e serve-se.

Enquanto eu viro cuspe dum nobre prato
A comida estraga na panela dos anseios sem fatos

E esse dissabor de receio feio e desejo,
Fico a lavar os talheres a espera que me serves.

André Luz Gonçalves

18/07/2013

O Navio Negreiro - Caetano Veloso & Mª Bethânia

Um sonho numa era de sonhos

Devasto copas altas
Onde flores um dia foram moças
Desta memória que folhas tornam
Todo o pomar de onde furtei seu doce

Desmanchada feito fruta posta
De um chão tão longe que a terra encosta
Fiz minha base em soma, insumas e hiatos
Beirei a esperança em ser desapegado

E de longe não te vi feito um retrato
E sem monte não subi no cerrado
E sem fronte deixei o rosto suado
E sem estrofe, refrão ou mote, fiz o campo vasto.

André Luz Gonçalves



17/07/2013

Re-verso

Pra cada Orixá um Santo
Pra cada Profeta um Anjo
Em cada Ateu vejo um Deus
Ninguém aqui é irmão, nem Eu!

André Luz

Dourado



Aquele monte de galinha no quintal, perto do pé de Antônio, Valéria ria sem mais nem porque, a mãe diz que é o Franguinho Dourado chamado João, este é o mais rápido, cara de franguinho macho, parece que queria ser um galo: quando eu noto Joãozinho Dourado corre forte como se fugisse e voa para um pequeno limoeiro, dali num pulo só, e um desesperado bater de asas, com o bico na direção de seu objetivo, pula no telhado do galinheiro, de lá pula no algodoeiro atrás do galinheiro, e dali dá mais um pulo alto no Pé de Pinho, e nesse quase cai-não-cai ele segue firme e seguro, ele voa pro Pinho que deu fruta mês passado e agora só no fim do ano, João Dourado, parrudinho e bonito, finca no galho o pé de três pontas e balança as asas num abre e fecha de dar nervoso em todo mundo. João Franguinho dourado segue firme, e vai de lado, rápido, parece que espera algo chegar e tem hora pra isso, e vai pra ponta mais fina, do galho quase seco, sem folha alguma, de uma vez só como se soubesse o caminho, ele foi de galho em galho até o ultimo centímetro seco, e nesse ultimo centímetro fez seu poleiro.

O vento

O vento começou no instante seguinte, João Dourado sabia o que fazia, e o galho mexia com o aumento daquela brisa, já era fim de tarde e o frio batia na encosta da mata, o morro é alto e cobre tudo desde onze horas, o frio e o vento virou contra o franguinho, que eu jurava que ia ver cair...
No primeiro sopro forte, o frango, soltou o galho, mas no instante em que saiu voltou e continuou agarrado alado, umas franguinhas correram pro galinheiro que estava quentinho e fechado, Seu Cabral de 93 anos fez o galinheiro do jeito que galinha gosta, mais curiosamente fez uma cantinho especial, uma área VIP, que estava interditada, não podia por ali galinha alguma, como se fosse pra receber algum premio pro bravura ou coisa assim. O setor VIP do seu Cabral estava cheio de tijolos que não podiam ser retirados, mais naquele espaço estava o melhor cantinho pra dia de vento e chuva. Todos rimos disso, e Seu Cabral que está capinando no sítio do Tio Gilson não podia esclarecer esse absurdo pra nós...
O vento aumenta e o João fica numa situação tensa, eu e todo mundo olhando pro galho, num torce contra e a favor dele conseguir ficar ou cair.
Ventania e o vento assovia forte e o João Dourado seguia em sua alegria, que era a de se exibir diante das franguinhas, da mãe natureza, e de todos nós que estávamos vendo ele voar pelo vento agarrado no galho feito uma pipa que já soltou seu carretel inteiro e não tem mais corda pra dar, João Dourado seguiu firme, a conversa chegou a mudar e ele ainda não havia saído de lá...





16/07/2013

Sinceramente eu prefiro o silêncio dos meus versos
Mas não sou de aceitar socos e berros
Como seu eu fosse um cão vagabundo, um mero ego.

Então se sucumbir em ti a vontade de me escarrar
Saiba que nobre será o excremento que de dentro de você sairá!

Eu mesmo fraco, ainda tenho força pra viver até a morte!

André Luz Gonçalves


Nessas vezes rebeldes 
Onde minha mão aparece com seu cheiro
Toco meu sexo feito quem procura abrigo
E vejo se é de lá esse suspiro
Me encontro com saudade de mim, 
Querendo me amar, gozar meu desejo, ter me vadio.

André Luz Gonçalves


Impressionante como tudo muda enquanto nada fica diferente.

André Luz Gonçalves


14/07/2013

Silêncio e Luz

O silêncio das palavras que não digo adoece minha alma, pra me curar, Eu mudo.

E esse lastro mal preparado pro mar de amar me mede feito um relógio quebrado, onde toda vez que me consulto, encalho no que me julga voltar ao mesmo momento.

André Luz Gonçalves

01/07/2013

Dose dupla sem gelo!

É horrível assistir à agonia de uma esperança.
Simone de Beauvoir



Caô de Raiz, o início.


Mudaram as Estações

Carícia

Um horizonte grita luz
Desse facho que me pede prece
Que eu saia dessa amarga tristeza
E ria da falta de carícia até ficar distraída

A poesia foi fracionada
Tirou-se um terço porque era eu
Daí cortou a imagem 
Abriu seu quebra vento contra o sopro meu

De tudo eu passei a nada
E desse vácuo onde eu nunca fui
Sempre estarei ao olho nú
Da poesia que es tu

André Luz Gonçalves