15/02/2013


Saudade dela, 
De seu café, 
Seu livro vermelho de cheiro de sangue que perfumava o mundo...
Supri o incabível
Comprimi o infinito
Dei silêncio ao ritmo
Esperei me contradizer

Sorri seu novo sorriso
Desenhei sua boca com meus dentes
Usei tudo que passou
Para ser novo, feito o amor.

André Luz Gonçalves

Quando

Inventei um cais pra maré que se encheu, 
criei um mar pra lua marear, a lua guardar.
Tudo calado e quieto, imaginando que ser Deus é certo.
Depois eu me tornei um simples e esperançoso anônimo, 
do criador virei filho e da dor antônimo.

André Luz Gonçalves


13/02/2013

Qual é a musica?


Amo Samba e suas vertentes, mas lamento muito que se mantenha tão rápida a velocidade da musica, a bateria mal consegue desenvolver uma bossa nova, o puxadores e interpretes ficam aos berros cantando seus sambas desesperados, o "padrão" que toma conta do carnaval de passarela no Rio, faz com que os compositores e suas baterias personalizadas fiquem turvas diante do espetáculo da correria, sobrando "requisitos" mil a definir o que é belo dentro disso, quem será o campeão ou pior. 


Sei que a arte ainda se mostra, porém é preciso também que se de LIBERDADE de tempo harmônico e velocidade ao samba, a disputa musical está igual e ninguém ganha, que volte a cadencias mais lentas, para sambar gostoso, e eternizarmos novos sambas com suas melodias exaltadas, hoje mal sabemos como é o samba de uma escola, ninguém quer saber a não ser seus componentes, o espetáculo popular não está fazendo sucesso e parece se perder na velocidade supersônica das baterias.



Parabéns aos ritmistas, amigos, estamos juntos.



Parabéns a Vila Isabel, linda escola, trouxe luxo que é bom e deveria ser para todos, alegria e lazer, felicidade.




08/02/2013

Fantasia de cada um


O clima é de silêncio no centro, aquele tipo de silêncio que precede o esporro, o caos ameaça se avolumar e tomar forma, o Rei Momo ganha a chave da festa pagã, o impulso causa ansiedade aos que amam e aos que detestam o Carnaval.


“Alguns foliões já de manhã com suas latas de cerveja, cocares de flores de plástico e seus chapeis de malandros põe em dúvida meus pensamentos, onde fico entre imaginar se eles ainda não voltaram pra casa ou se acabaram de chegar”

Passa um bloco com 8 pessoas, 3 instrumentos e o o Rei Momo aprova, e todos os outros 12 foliões se juntam. Dá até pra sambar, com suor e cerveja. 

O Carnaval no Rio se alinha de acordo com a fantasia de cada um.

Uns pensam em sambar até as cadeiras cansarem, pais compram fantasias pra suas crianças brincarem na praça, outros futuros pais almejam orgias, tem os que preparam a geladeira de cerveja e carne, alguns vão para retiros espirituais e sentem a amarga e gostosa leveza dos sacrifícios da fé, outros empunham sua fantasia, tomam uma dose única de alegria que dura 4 dias ou mais, os cuidadosos dão os últimos retoques nos paetês, conferem se está tudo certo para o momento de jogar sua serpentina, o tamborim está com pele nova, o surdo pede pra falar, a cuíca começa a se emocionar pra chorar, a cabeleireira transborda serviços em apliques e coloridos penteados, centenas de bailes cantarão algumas marchinhas, músicos se preocupam se vão ganhar por noite ou só quando tudo acabar e a quarta promete ser de cinzas, ainda é a sexta de carnaval.